MUNDO DOS VINHOS

MUNDO DOS VINHOS
A MINHA ENTRADA NO MUNDO DOS VINHOS
23 Jul 2018

Lembro-me bem da época das vindimas e de toda a azáfama que acontecia na casa dos meus avós paternos quando conseguiam encher, com indisfarçável orgulho, meia dúzia de velhas pipas pequenas com um vinho que era feito com aquilo que as videiras das mais variadas castas tinham decidido oferecer naquele ano. Nesses tempos, parecia-me impossível que alguém gostasse e tirasse prazer em beber tal coisa. Enfim, outros tempos, outras vivências, alguma saudade.
Eu nunca bebi vinho até entrar na idade bem adulta e, por força das circunstâncias, comecei a provar alguns “néctares” em jantares de amigos. Reconheço que foi uma entrada em falso que deixou a descoberto a minha falta de experiência nesta área.
O tempo passou e, por limitações orçamentais, comecei a comprar no supermercado as primeiras garrafas e a provar. Essa foi a minha primeira fase: provar, provar e voltar a provar. Aprendi que o supermercado não é o melhor local para comprar vinhos de qualidade, pois os grandes distribuidores estão mais interessados nas margens do que no nosso paladar. Passei a comprar em garrafeiras, de forma desorganizada, aproveitando a oportunidade dos jantares de família para ganhar experiência nas provas. Com a degustação de diferentes vinhos ficou lógico para mim que só poderia conhecer e diferenciar bem os vinhos se os provasse por região, de forma individualizada.
Entrava na garrafeira e comprava os vinhos mais baratos e com boas críticas. De uma região vitivinícola passava a outra e muitas vezes pedia ajuda ao responsável da garrafeira, por norma, conhecedor das melhores oportunidades lançadas no mercado e que faz sugestões úteis sobre as qualidades especiais dos vinhos. Além disso, ajuda a melhorar a nossa cultura geral sobre a matéria.
A minha técnica na prova é simples e mantém o foco em apenas dois sentidos, o aroma (olfacto) e o sabor (e final de boca). Todos são importantes, mas estes dois são os críticos. No que respeita ao aroma decifro, por exemplo, se é balsâmico com madeira, se é frutado, se cheira a alguma especiaria, se é concentrado e cheira a algum fruto maduro que reconheça. Quanto ao sabor, perceciono se é encorpado, se tem taninos leves ou fortes, se é equilibrado e sem defeitos, se é complexo e evoluiu com a idade ou, após a prova, se prolonga na boca por algum tempo.
A experiência ganha ao longo do tempo deu-me a vontade de participar nas provas de vinhos, uma maneira de provar e descobrir novos e bons vinhos que os produtores lançam anualmente no mercado.
Aproveito sempre estas ocasiões para interagir com os especialistas e assimilar conhecimentos e técnicas que me permitam apreciar cada vez mais esta paixão.
Termino a partilhar com vocês algumas dicas básicas: devemos pegar no copo sempre pela haste. Depois, antes de colocarmos o líquido na boca, devemos rodopiá-lo no copo. Rodar um vinho é útil, antes de o cheirar, para liberar os aromas e para promover o seu arejamento. Devemos cheirar com o nariz quase dentro do copo. Só então devemos provar, em pequenos golos e não beber tudo de uma assentada.
Odete Resende
DRH Grupo Patrilar

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